1. Introdução: A Tempestade Perfeita e a Nova Geopolítica do Aço
O biênio 2025-2026 marca um ponto de inflexão histórico para a cadeia siderúrgica brasileira, caracterizado pela convergência de vetores macroeconômicos globais e idiossincrasias domésticas que redefinem a competitividade industrial do país. O fenômeno central não é meramente comercial, mas geopolítico: o transbordamento da supercapacidade industrial da China, exacerbado pela desaceleração do seu setor imobiliário, transformou a América Latina — e o Brasil em particular — em um “sumidouro” estratégico para o excedente de aço asiático.
Este relatório analisa exaustivamente a premissa de que “a China está investindo no setor siderúrgico no Brasil”. A investigação revela uma realidade matizada: enquanto os investimentos diretos em capacidade produtiva siderúrgica (greenfield) permanecem, em grande parte, no campo das intenções diplomáticas ou focados na extração de recursos (montante), o verdadeiro “investimento” chinês manifesta-se na captura agressiva de market share via exportações de produtos acabados e na inserção em cadeias de valor adjacentes, como a automotiva e a de energias renováveis.
Em 2025, a penetração de aço importado no consumo aparente brasileiro atingiu o patamar inédito de 21%, mais que dobrando a média histórica de 9,7% registrada nas duas décadas anteriores.1 Esse choque de oferta desarticulou a formação de preços no mercado interno, forçando o governo brasileiro a reagir, em janeiro de 2026, com o mais robusto pacote de defesa comercial da última década, aprovado pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior.2
Para os atores locais, o cenário é assimétrico. As grandes usinas integradas (Gerdau, ArcelorMittal, Usiminas, CSN) utilizam seus balanços e diversificação geográfica para suportar a pressão, enquanto o elo mais frágil da cadeia — os médios distribuidores de aço — enfrenta uma crise existencial de solvência, imprensados entre estoques desvalorizados, restrição de crédito e a perda de relevância logística.
2. A Desconstrução do “Investimento” Chinês: Mineração, Diplomacia e Consumo Induzido
A narrativa de investimentos chineses na siderurgia brasileira exige uma dissecção rigorosa. Diferente do setor elétrico, onde estatais chinesas como State Grid e CTG adquiriram ativos operacionais massivos de geração e transmissão, o capital chinês na siderurgia brasileira segue uma lógica distinta, priorizando a segurança de suprimento de matérias-primas críticas e a abertura de mercados para seus manufaturados, em detrimento da produção local de aço bruto.
2.1. O Foco no Montante: A Estratégia de Segurança de Recursos
O principal vetor de capital chinês real (Hard Capex) na cadeia siderúrgica brasileira não está nos altos-fornos, mas na mina. A China, maior produtora mundial de aço, depende de minério de ferro importado para sustentar sua produção de mais de 1 bilhão de toneladas anuais. Com a agenda de descarbonização de Pequim exigindo minérios de maior teor de ferro (para reduzir o consumo de coque e as emissões), o Brasil tornou-se estratégico não para produzir aço, mas para fornecer a matéria-prima premium.
2.1.1. Projeto Bloco 8 e a Persistência da Honbridge
O caso mais emblemático é o da Sul Americana de Metais (SAM), controlada pela chinesa Honbridge Holdings. O Projeto Bloco 8, localizado no norte de Minas Gerais (Salinas e Grão Mogol), representa um investimento estimado entre US$ 2,1 bilhões e US$ 3,5 bilhões.3
- Natureza do Projeto: Ao contrário de uma usina siderúrgica, o projeto visa a extração e beneficiamento de minério de ferro de baixo teor (itabirito, c. 20% Fe) para transformá-lo em pellet feed de alto teor (66%+ Fe), produto cobiçado para a redução direta na China.
- Logística Integrada: O projeto inclui um mineroduto de 480 km até o Porto Sul, em Ilhéus (BA), evidenciando a vocação puramente exportadora do empreendimento.
- Status 2025-2026: O licenciamento ambiental permanece o maior obstáculo. Apesar das promessas de tecnologias de empilhamento a seco (eliminando barragens de rejeitos tradicionais) e uso de 5G/automação em parceria com a Huawei 5, o projeto enfrenta resistência do Ministério Público e lentidão regulatória. A “siderurgia” chinesa aqui, portanto, é extrativista.
2.1.2. Tsingshan: Aço Inoxidável e a Cadeia de Baterias
O Grupo Tsingshan, gigante global do aço inoxidável e níquel, mantém uma abordagem híbrida. Seus interesses no Brasil orbitam a cadeia de transição energética. Embora seja um player capaz de alterar a dinâmica do aço inox (hoje dominado pela Aperam), seus movimentos recentes focam em projetos de energia limpa e na garantia de insumos (lítio/níquel) para baterias, visando alimentar a indústria de veículos elétricos (EVs).1 Não há evidências concretas, até o início de 2026, de construção de aciaria para produção de placas ou bobinas de inox pela Tsingshan no Brasil.
2.2. A Miragem do “Aço Verde” e o Impasse HBIS/Solatio
A diplomacia comercial entre Brasil e China tem gerado memorandos de entendimento (MoUs) ambiciosos, mas de baixa concretização física imediata. O governo do estado do Piauí tem liderado esforços para atrair a HBIS Group (Hebei Iron and Steel), visando a instalação de uma usina de “Aço Verde” baseada em hidrogênio verde.7
A viabilidade deste projeto, contudo, sofreu um revés estrutural crítico em janeiro de 2026. O projeto de hidrogênio verde da Solatio, parceira fundamental para fornecer a energia e o redutor (H2) para a potencial siderúrgica, teve sua licença de instalação suspensa pela Justiça Federal.8
- O Colapso Jurídico: A decisão judicial baseou-se na ausência de outorga de água pela Agência Nacional de Águas (ANA) para captar recursos do Rio Parnaíba e na negativa do Operador Nacional do Sistema (ONS) quanto à conexão elétrica, devido ao risco de colapso na transmissão regional.9
- Implicação: Sem a garantia do hidrogênio e da energia, o investimento siderúrgico da HBIS permanece congelado. A análise sugere que tais anúncios funcionam mais como sinalização política de alinhamento à agenda de descarbonização do que como pipeline industrial real para o curto prazo.
2.3. O Setor Automotivo como “Cavalo de Troia”
A mudança tectônica na demanda de aço ocorre via investimentos das montadoras BYD e GWM. Ambas adquiriram plantas desativadas (Ford na Bahia e Mercedes-Benz em São Paulo) com promessas de nacionalização.
- Demanda Induzida vs. Importação: No curto prazo (2024-2025), a produção dessas montadoras baseia-se em regimes SKD/CKD (Semi/Completely Knocked Down), importando kits de carroceria estampados na China. Isso significa que o aço contido nos veículos “brasileiros” dessas marcas é chinês, não gerando demanda para a Usiminas ou CSN.11
- Perspectiva de Nacionalização: A GWM assinou acordos de confidencialidade com 52 fornecedores locais e promete 60% de nacionalização até o final de 2026.13 A BYD, sob pressão política para manter benefícios fiscais do programa Mover, iniciou a homologação de aços locais. Este é o único canal real onde o capital chinês pode alavancar a siderurgia brasileira nos próximos anos, forçando as usinas nacionais a desenvolverem aços de ultra-alta resistência competitivos em preço.
2.4. O Caso Posco: Um Alerta sobre Capital Asiático
Embora sul-coreana, a falência da Posco Engenharia e Construção do Brasil em 2025 serve como um proxy dos riscos associados a grandes projetos asiáticos no país. A empresa, braço de engenharia responsável pela construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), pediu autofalência declarando dívidas de R$ 644 milhões contra ativos de apenas R$ 11 mil.15
- Risco Reputacional: As acusações de credores sobre fraude e remessa de lucros para a matriz na Coreia do Sul 15 contaminam a percepção de risco para novos contratos de EPC (Engineering, Procurement and Construction) com empresas asiáticas, dificultando a atração de parceiros locais para futuros empreendimentos chineses.
3. As Siderúrgicas Nacionais: Resiliência, Alavancagem e a Resposta Protecionista
A indústria siderúrgica instalada no Brasil opera sob pressão máxima. A produção de aço bruto recuou 1,6% em 2025 (para 33,3 Mt) e a ociosidade industrial permanece elevada, operando em torno de 60-65% da capacidade.1 A resposta corporativa variou drasticamente conforme o perfil de produto e exposição geográfica de cada player.
3.1. Análise Comparativa das “Big Four”
A tabela abaixo sintetiza a posição estratégica e financeira das principais usinas diante da crise de 2025-2026:
| Indicador | Gerdau (GGBR4) | Usiminas (USIM5) | CSN (CSNA3) | ArcelorMittal Brasil |
| Foco de Produto | Aços Longos (Construção) | Aços Planos (Indústria/Auto) | Planos, Revestidos, Mineração | Longos e Planos (Misto) |
| Exposição à China | Moderada (Vergalhão tem barreira logística) | Crítica (Planos sofrem concorrência direta) | Alta (Revestidos e concorrência em Planos) | Alta em Planos; Moderada em Longos |
| Saúde Financeira | Robusta (Baixa alavancagem, receita em Dólar) | Fragilizada (Margens comprimidas) | Alavancada (Dívida alta, venda de ativos) | Sólida (Suporte global do grupo) |
| Impacto Gecex 2026 | Positivo (Proteção em Fios-máquina) | Vital (Antidumping e Tarifa 25% em Planos) | Positivo (Antidumping em Pré-pintados) | Positivo (Proteção geral) |
| Estratégia 2026 | Manter Capex em renováveis e mineração | Recuperar volume via proteção tarifária | Desalavancagem (Venda de ativos não-core) | Otimização de ativos (Monlevade parada) |
3.1.1. Gerdau: A Fortaleza Diversificada
A Gerdau destaca-se como a operação mais resiliente. Sua forte presença na América do Norte (EUA e Canadá), onde se beneficia de políticas protecionistas (Seção 232) e de uma economia dinâmica, atua como um hedge natural contra a volatilidade brasileira. No 3T25, reportou Ebitda ajustado de R$ 2,7 bilhões 16, sustentando dividendos mesmo com o mercado doméstico fraco. A empresa foca em aços longos, onde a “invasão” chinesa é logisticamente mais complexa e cara do que em aços planos.
3.1.2. Usiminas: No Olho do Furacão
A Usiminas é a principal vítima da conjuntura. Como maior fornecedora de aços planos para a indústria automotiva e de linha branca, sofre duplamente: com a importação direta de aço chinês pelos seus clientes e com a importação de bens finais (carros e máquinas) que contêm aço chinês.
- Resultados: A empresa reverteu prejuízos de 2024 para um lucro tênue em meados de 2025, mas viu suas vendas internas caírem 3%.17 A reforma do Alto-Forno 3 em Ipatinga, um investimento massivo, coincidiu com o pico de importações, gerando ociosidade custosa.
- Dependência Tarifária: A sobrevivência de suas margens em 2026 depende integralmente da eficácia das novas tarifas de 25% e das medidas antidumping sobre laminados a quente, cuja decisão final é aguardada para março de 2026.18
3.1.3. CSN: Dívida e Defesa Comercial
A CSN opera em um equilíbrio delicado. Sua alta alavancagem financeira (Dívida Líquida/EBITDA frequentemente acima de 3x) força a empresa a buscar liquidez via venda de ativos (como a participação na Usiminas, exigida pelo CADE, e potenciais IPOs de subsidiárias de energia/cimento).20
- Vitória no Gecex: A empresa liderou o lobby por proteção em aços revestidos. A aprovação de antidumping definitivo para aços pré-pintados (focando China e Índia) em janeiro de 2026 2 garante uma reserva de mercado crucial para sua divisão de construção civil (Prada/CSN).
3.1.4. ArcelorMittal: Pragmatismo e Freio no Capex
A subsidiária do maior grupo siderúrgico do mundo adotou uma postura pragmática: suspendeu a expansão da usina de João Monlevade (projeto de R$ 4 bilhões) citando explicitamente a insegurança de mercado causada pelas importações.22 No entanto, mantém investimentos estratégicos em descarbonização e energia renovável (eólica na Bahia) para garantir competitividade de custos a longo prazo.23
3.2. A Muralha Tarifária de Janeiro de 2026
A resposta governamental materializou-se em 28 de janeiro de 2026, com o Gecex aprovando medidas que alteram a estrutura de custos do setor 2:
- Antidumping Definitivo: Aplicado por 5 anos sobre aços pré-pintados da China e Índia.
- Tarifaço de 25%: Elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) para 25% em 9 NCMs estratégicos (incluindo fios-máquina e tubos), válida por 12 meses.
- Sistema de Cotas: Manutenção de cotas de importação isentas, mas com volumes rigorosos; excedentes pagam a tarifa cheia.
Análise de Impacto: A medida oferece um “balão de oxigênio” para as usinas repassarem custos. Imediatamente após o anúncio, as usinas sinalizaram aumentos de preço de 5% a 8% para fevereiro de 2026.25 Contudo, a eficácia é limitada pela capacidade da China de absorver custos ou triangular exportações via países terceiros.
4. A Crise da Distribuição: Insolvência, Consolidação e o “Efeito Sanduíche”
Enquanto as usinas possuem ferramentas de defesa (exportação, lobby tarifário, mineração própria), os médios distribuidores de aço (empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões) encontram-se na posição mais vulnerável da cadeia, enfrentando uma crise sistêmica de solvência.
4.1. A Armadilha dos Estoques de 2025
A raiz da crise reside em uma aposta estratégica equivocada no início de 2025.
- A Aposta: Antecipando restrições à importação e aumento de preços, muitos distribuidores acumularam estoques recordes. Em dezembro de 2025, os estoques na rede de distribuição atingiram 1,13 milhão de toneladas, 11,4% acima do normal, equivalendo a quase 3 meses de vendas.25
- O Choque: A demanda não reagiu (crescimento de vendas de apenas 1,3% no ano) e a China continuou inundando o mercado com preços baixos ao longo de 2025. O resultado foi uma desvalorização contábil brutal dos estoques: o aço comprado caro ficou “micado” no pátio, enquanto o preço de mercado à vista caía.
4.2. O Colapso do Fluxo de Caixa e Recuperações Judiciais
A combinação de estoques desvalorizados, juros altos (Selic) para capital de giro e demanda fraca desencadeou uma onda de insolvência. O número de pedidos de Recuperação Judicial (RJ) no Brasil cresceu 61,8% no biênio 2024-2025.26
- Caso Grupo Armco: Um dos maiores processadores independentes de aço, o Grupo Armco, entrou com pedido de recuperação extrajudicial. A empresa citou a queda de receita, custos altos de mudança fabril e a pressão das importações como fatores determinantes.27 Sendo um player de grande porte, sua dificuldade sinaliza a gravidade da situação para os menores.
- Caso Comercial Tapajós: A distribuidora Comercial Tapajós Ferro e Aço também figura nas listas de processos de RJ e falência em 2025/2026 28, ilustrando a disseminação da crise para distribuidores regionais.
4.3. A Exceção Nordestina: Aço Cearense e Sinobras
Em contraste com a crise no Sudeste, o Grupo Aço Cearense demonstra resiliência. Sua subsidiária siderúrgica, Sinobras (em Marabá/PA), opera com vantagens competitivas regionais (incentivos fiscais da SUDAM, energia de Tucuruí).
- Desempenho: O grupo projeta faturamento acima de R$ 7 bilhões em 2025 e mantém investimentos em inovação e capacidade produtiva.29 A verticalização (produzir o próprio tarugo na Sinobras e distribuir no Nordeste/Norte) protege o grupo da volatilidade pura da distribuição e da dependência total das usinas do Sudeste.30
4.4. O Dilema do Repasse de Preços em 2026
Com as novas tarifas de 25% vigentes, as usinas nacionais anunciaram aumentos de preço. Para o médio distribuidor, isso cria um impasse mortal:
- Incapacidade de Repasse: Carlos Loureiro, presidente do INDA, afirma categoricamente: “Nós [distribuidores] é que não conseguimos implantar [o aumento] aos clientes”.25 O serralheiro, a pequena construtora e a indústria média não têm capacidade de absorver o aumento, levando a uma retração imediata de compras.
- Risco de Consolidação: Distribuidores descapitalizados, incapazes de repor estoque aos novos preços (mais altos) e com dificuldades de vender o estoque antigo, tornam-se alvos de aquisição. A tendência para 2026-2030 é uma consolidação agressiva, onde grandes redes de distribuição (muitas vezes ligadas às próprias usinas ou a grandes grupos internacionais) absorverão as carteiras de clientes dos médios falidos.
5. Perspectivas de Mercado e Cenário Prospectivo (2026-2030)
A análise das tendências aponta para um mercado mais protegido, porém mais caro e concentrado.
5.1. Tendências de Preços e Commodities
- Minério de Ferro: As previsões de bancos de investimento como Goldman Sachs e Morgan Stanley para 2026 apontam para uma estabilização ou leve queda, com preços oscilando entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada.31 Isso sugere que a margem das mineradoras (Vale, CSN Mineração) será mais apertada do que no ciclo de alta, mas ainda saudável.
- Spread do Aço: O spread entre o preço do aço no Brasil e no mercado internacional deve aumentar devido às tarifas de 25%. Isso protege as usinas, mas onera a cadeia industrial brasileira, reduzindo a competitividade de quem usa aço para exportar máquinas ou bens de capital.
5.2. Evolução do Modelo de Distribuição
O modelo de “compra e venda” simples está em extinção. A sobrevivência dos distribuidores dependerá da migração para o modelo de Centros de Serviços (Service Centers).
- Valor Agregado: Em vez de vender chapas inteiras ou barras de 12 metros, o distribuidor precisará oferecer kits cortados, dobrados e soldados, entregues just-in-time. Isso exige investimento em máquinas (laser, plasma) que empresas em crise financeira não conseguem fazer, acelerando a consolidação.
5.3. O Fator China no Longo Prazo
A China não desaparecerá. Com o mercado interno chinês em declínio estrutural (consumo caindo 2% ao ano) 33, a pressão exportadora será uma constante. O Brasil deverá manter e renovar as barreiras comerciais periodicamente. Além disso, a China buscará contornar tarifas investindo na produção de peças e componentes (que não são taxados como aço bruto) para abastecer suas montadoras no Brasil.
6. Conclusão e Síntese
A ideia de que a China está “construindo siderúrgicas” no Brasil é, em 2026, um mito. A estratégia chinesa evoluiu para um modelo mais sofisticado e extrativista: garantir minério de ferro de alta qualidade (Projeto SAM) para descarbonizar suas usinas na Ásia, enquanto utiliza o mercado brasileiro como destino para o excedente de sua produção siderúrgica e como plataforma para suas indústrias de consumo (automotiva).
Para as empresas brasileiras, o cenário é de guerra de trincheiras. As usinas integradas, armadas com novas tarifas de 25%, conseguiram um fôlego vital para 2026, mas enfrentam o desafio de modernizar seus parques industriais sem a garantia de crescimento robusto da demanda. Já os médios distribuidores enfrentam o cenário mais sombrio: sem escala para importar diretamente, sem capital para modernizar serviços e sem margem para absorver aumentos de preço, o setor caminha para uma inevitável e dolorosa consolidação.
Tabela Síntese: O Ecossistema Siderúrgico em 2026
| Ator | Situação Atual (2025-2026) | Principal Desafio | Perspectiva 2030 |
| China (Gov/Empresas) | Foco em Mineração (SAM) e Exportação de Aço/Carros. | Barreiras Tarifárias e Licenciamento Ambiental. | Domínio da cadeia de EVs e Minério Premium. |
| Usinas Nacionais | Protegidas por Tarifa 25%, mas com ociosidade. | Recuperar demanda interna e rentabilidade. | Foco em produtos de alto valor e descarbonização. |
| Médios Distribuidores | Crise de solvência, estoques altos, Recuperação Judicial. | Repasse de preços e custo financeiro. | Consolidação massiva; sobrevivência via serviços. |
| Setor Automotivo | Invasão de importados; Início da nacionalização (BYD/GWM). | Cumprir metas de conteúdo local (Mover). | Integração maior com a siderurgia local para aços especiais. |
Referências citadas
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