Paraferro

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O aço é o material mais reciclado do mundo:

Perfis

Cantoneira “L” Sim,ples

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Resumo do Artigo

 

Estudo Aprofundado da Cantoneira de Aço Laminado: Perfil “L” de Abas Iguais

A concepção rigorosa e o detalhamento estrutural em engenharia exigem um conhecimento exaustivo das geometrias disponíveis e do comportamento mecânico dos materiais. Neste contexto, destaca-se a cantoneira de aço.

O presente relatório técnico foi desenvolvido com o propósito de constituir uma seção didática, exaustiva e de nível avançado para uma apostila de estudo sobre estruturas metálicas.

A cantoneira de aço é definida como um perfil metálico aberto cuja seção transversal apresenta a forma geométrica da letra “L”. Esta configuração é obtida através da união ortogonal de duas chapas planas (denominadas pernas ou abas), estabelecendo um ângulo reto exato de 90 graus na sua articulação interna.

Do ponto de vista anatômico, a interseção dessas abas é tecnicamente chamada de raiz ou vértice, enquanto as extremidades livres são conhecidas como bordos.

Em termos de tipologia, as cantoneiras dividem-se em duas categorias fundamentais, fundamentadas na proporcionalidade das suas pernas:

  • Cantoneiras de abas desiguais: as pernas possuem larguras distintas. São aplicadas em contextos específicos onde existem restrições severas de espaço ou onde o engenheiro necessita de uma inércia acentuadamente assimétrica para resistir a cargas desequilibradas.
  • Cantoneiras de abas iguais: ambas as pernas partilham exatamente a mesma largura nominal e a mesma espessura. Esta simetria em torno do eixo diagonal confere ao perfil características singulares de rigidez à torção e inércia polar, sendo o foco central de estudo desta seção.

1. Propriedades Analíticas e Eixos Principais de Inércia

O comportamento resistente da cantoneira de abas iguais é governado por particularidades geométricas que a distinguem de perfis duplamente simétricos (como os perfis “I” ou “H”). A sua assimetria em relação aos eixos ortogonais impõe uma análise vetorial específica.

Centro de Gravidade (Centroide)

O centro geométrico da seção posiciona-se fora do material, no espaço delimitado pelo ângulo interno das duas abas. As coordenadas exatas do centroide são fundamentais, pois determinam a excentricidade estrutural nas ligações e apoios. Qualquer força que não passe por este ponto induzirá momentos adicionais (flexão composta).

Centro de Cisalhamento (Centro de Corte)

Representa o ponto geométrico onde a aplicação de uma força transversal (esforço transverso) provoca translação pura, sem induzir qualquer torção na seção. Na cantoneira, o centro de cisalhamento localiza-se, para efeitos de cálculo, na interseção exata das linhas médias das duas abas (na raiz do perfil).

Como o centro de gravidade e o centro de cisalhamento se encontram distanciados por uma distância fixa, a cantoneira é altamente suscetível ao acoplamento de deformações, um fenômeno documentado na mecânica dos sólidos como flexo-torção.

Eixos Cartesianos e Produtos de Inércia

Convencionalmente, os eixos X e Y são propostos paralelos às abas da cantoneira. Devido à ausência de simetria nestes eixos, o produto de inércia da seção é diferente de zero. Isto implica que os eixos X e Y não representam os eixos de máxima e mínima inércia.

Eixos Principais de Inércia

Para uma cantoneira de abas iguais, os eixos onde o produto de inércia é nulo — conhecidos como eixos principais de inércia — encontram-se rotacionados em exatamente 45º em relação aos eixos X e Y.

  • O eixo principal de maior inércia é o eixo de simetria diagonal que atravessa a raiz do perfil.
  • O eixo principal de menor inércia é perpendicular ao eixo diagonal, cruzando a seção transversalmente e unindo os pontos médios teóricos das abas.

Raio de Giração

O raio de giração em torno do eixo de menor inércia é a variável mais crítica no dimensionamento, pois governa a esbeltez máxima da barra e determina a suscetibilidade à flambagem global por flexão (encurvadura).


2. Processo de Fabricação e Metalurgia Aplicada

O desempenho estrutural em obra não é indicado apenas pela geometria teórica, mas é profundamente dependente do processo de fabricação metalúrgica e da química do material base.

O Processo de Laminação a Quente

As cantoneiras estruturais para aplicações de alta exigência são produzidas, na sua esmagadora maioria, através do método de laminação a quente.

Mecânica da Laminação: o processo tem início nas siderurgias, onde tarugos de aço contínuos são elevados a temperaturas que superam a temperatura de recristalização do aço. O aço incandescente e plástico é passado através de diversas cadeiras de laminação contendo cilindros que, através de pressão mecânica significativa, reduzem gradualmente a seção transversal até alcançar a forma final em “L”. As barras são posteriormente arrefecidas ao ar e fornecidas geralmente em comprimentos padronizados de 6 ou 12 metros, com tolerâncias rigorosas de comprimento na ordem de -0 a +10 cm.

Vantagem Termomecânica: diferentemente das seções formadas a frio (que sofrem dobragem mecânica à temperatura ambiente, gerando zonas de encruamento severas e tensões residuais elevadas), o processo a quente refina a microestrutura dos grãos de ferrita e perlita.

Tensões residuais mínimas: em perfis laminados a quente, o resfriamento é relativamente homogêneo. O efeito das tensões residuais térmicas na resistência destas cantoneiras é extraordinariamente baixo, limitando-se a valores residuais em cerca de 4%, muitas vezes desprezados no cálculo analítico convencional de elementos tracionados.

Além disso, a laminação a quente produz abas compactas, o que reduz drasticamente a probabilidade de instabilidade local (flambagem prematura de uma única aba antes do colapso global da barra) quando comparada a chapas quinadas.

Especificação de Material: Norma ASTM A36 e Equivalências Internacionais

O material de referência global na engenharia de estruturas metálicas para a produção de cantoneiras é o aço-carbono especificado pela norma norte-americana ASTM A36. Para o mercado internacional, equivalem normas rigorosas como a ABNT NBR 7007 Grau MR 250 no Brasil, ou a norma europeia EN 10025-2 grau S235JR.

Composição Química Estrutural: o aço A36 é classificado como um aço de baixo teor de carbono, ou aço macio de uso estrutural. A sua composição elementar típica é controlada para garantir a relação ideal entre força e plasticidade:

  • Carbono (C): o teor máximo varia em função da espessura, mantendo-se entre 0,25% e 0,26% para cantoneiras ligeiras e médias. O controle deste valor é crítico, pois teores inferiores a 0,30% garantem imunidade virtual à fissuração a frio durante a soldadura.
  • Manganês (Mn): presente em proporções mais elevadas (0,80% a 1,20%), atuando como agente desoxidante e impulsionador da resistência mecânica e tenacidade da liga.
  • Impurezas limitadas: enxofre (S) e fósforo (P) são contaminantes da matriz do ferro, promovendo, respectivamente, a fragilidade a quente e a fragilidade a frio. O ASTM A36 restringe ambos a um máximo absoluto de 0,050% e 0,040%.

A36 vs. SAE 1020: é comum existir ambiguidade no mercado entre o aço estrutural A36 e o aço mecânico SAE 1020, pois possuem matrizes químicas quase idênticas. Contudo, a diferença reside nas especificações de fábrica: o SAE 1020 é comercializado apenas com base na sua composição química (para fins de usinagem e mecânica geral), ao passo que o ASTM A36 é especificado e certificado pelas suas propriedades mecânicas garantidas, sendo uma escolha obrigatória para estruturas e soldagem de pontes e edifícios.

Graus de Alta Resistência: em projetos infraestruturais com cargas axiais elevadas ou restrições de peso, é possível especificar cantoneiras em aços microligados de alta resistência e baixa liga (HSLA), tais como o ASTM A572 Grau 50 (equivalente NBR 7007 AR 350) ou patináveis anticorrosão como o ASTM A588 (Cor-Ten).


3. Comportamento e Propriedades Mecânicas

As especificações mecânicas do aço moldam diretamente o desempenho do perfil em serviço. Os valores mínimos e de referência estipulados pelas normativas, comprovados através de ensaios destrutivos (tração uniaxial de provas conforme ASTM A370), revelam os limites operativos do material.

A tabela a seguir apresenta os limites mecânicos clássicos que um engenheiro projetista utilizará no dimensionamento de uma cantoneira ASTM A36:

Propriedade Mecânica Valor (Métrico) Valor (Imperial) Significado Estrutural
Limite de Escoamento (fy) 250 MPa (mínimo garantido) 36.000 psi (36 ksi) Tensão a partir da qual o aço perde o comportamento elástico e começa a deformar-se plasticamente de forma irreversível.
Limite de Resistência à Tração (fu) 400 MPa a 550 MPa 58.000 a 80.000 psi Tensão máxima suportada antes do colapso por estricção e ruptura do material.
Módulo de Elasticidade (E) 200 GPa 29.000 ksi Define o comportamento longitudinal de toda a barra (Módulo de Young).
Módulo de Cisalhamento (G) 79,3 GPa 11.500 ksi Define a resposta da seção aos esforços de corte e torção transversal.
Alongamento após Ruptura 20% a 23% (base de 50mm a 200mm) 20% a 23% Demonstra elevada ductilidade, permitindo que uma estrutura ceda visivelmente antes de colapsar catastroficamente.
Coeficiente de Poisson (ν) 0,26 a 0,29 0,26 a 0,29 Relação entre a deformação transversal e a deformação longitudinal.
Massa Volúmica (Densidade) 7,85 g/cm³ (7.850 kg/m³) 0,284 lb/in³ Parâmetro base para o cálculo da carga morta (peso próprio) da estrutura.

Comportamento Estrutural sob Diferentes Esforços

O projeto de estruturas com perfis em “L” exige a mitigação de excentricidades nativas. O comportamento do elemento varia consideravelmente dependendo do tipo de solicitação imposta ao longo do seu eixo.

Esforço Axial de Tração (Tirantes e Contraventamentos)

As cantoneiras apresentam um comportamento mecânico excelente perante forças de tração. No cálculo da resistência última de um tirante, o engenheiro deve verificar dois estados-limite: a cedência da área bruta da seção transversal e a ruptura na área líquida efetiva.

Devido ao formato em L, na prática a cantoneira é muitas vezes ligada (parafusada ou soldada) numa única aba (numa chapa nodal). Isto cria uma assimetria no fluxo de esforço — a aba conectada sobrecarrega-se enquanto a aba livre fica subutilizada. Este fenômeno é designado por efeito de cisalhamento defasado (shear lag).

Para colmatar esta ineficiência, a norma estipula a multiplicação da área líquida por um coeficiente de redução empírico, penalizando a resistência para garantir total segurança contra rupturas localizadas perto de nós.

Esforço Axial de Compressão (Pilares e Diagonais)

Quando sujeita à compressão, a cantoneira enfrenta desafios agudos associados à estabilidade. Por possuírem uma relação área/inércia desfavorável em seus eixos não-principais, as cantoneiras esbeltas falham por flambagem global (encurvadura) muito antes de atingirem a tensão de cedência do material.

A flambagem ocorrerá preferencialmente no plano do eixo principal de menor inércia. Além disso, se a excentricidade dos parafusos for significativa ou não houver restrição à rotação nos apoios, a seção sofre flambagem flexo-torsional — um modo de colapso acoplado onde a barra fleta e torce simultaneamente em torno do seu centro de cisalhamento, localizado na raiz.

Solicitação de Flexão (Vigas e Terças)

O uso de cantoneiras singulares como vigas principais submetidas a cargas gravitacionais exige precaução extrema. Na mecânica da seção, a flexão reta (momentos cujo plano de ação passa diretamente por um dos eixos principais) é um caso muito raro na prática.

Na maioria das aplicações em obra, a carga vertical atua paralelamente a uma das abas, não coincidindo com os eixos principais inclinados a 45º. Este fenômeno cria uma flexão desviada, onde a linha neutra da seção roda, fazendo com que as deflexões da barra ocorram simultaneamente em duas direções — a viga não só deforma para baixo, mas sofre deflexão lateral e torção. Os módulos de flexão plástico e elástico são essenciais nestas avaliações.

O Uso Conjugado: Estratégias de Seções Compostas

Para neutralizar as especificidades da assimetria da seção “L” isolada, a engenharia metálica sistematizou metodologias de montagem em conjunto utilizando perfis duplos, o que altera radicalmente os centros de inércia do conjunto:

  • Cantoneiras Duplas “Costas-com-Costas” (Duplo T ou Cruz): o recurso estrutural mais ubíquo, especialmente no cordão superior (banzo) de treliças pesadas. Duas cantoneiras de abas iguais são apostas pelas costas (paralelas), intercaladas frequentemente por chapas espaçadoras. O eixo de inércia do conjunto passa a ser simétrico no plano vertical, as excentricidades anulam-se mutuamente, e o conjunto passa a atuar sem torção acoplada.
  • Perfil Estrela: quatro cantoneiras posicionadas em formato cruciforme, garantindo uma simetria polar excepcional e uma resistência uniforme à flexão e flambagem em qualquer direção radial — comumente recomendada em colunas de edifícios e mastros.

4. Principais Aplicações no Mercado e na Indústria

Graças à sua geometria bidirecional (que fornece duas faces de fixação em ângulo perfeito de 90º) e à facilidade com que suporta modificações manuais, a cantoneira de abas iguais tornou-se a “espinha dorsal” de múltiplos subsistemas de infraestrutura e indústria.

Torres de Transmissão Elétrica e Telecomunicações

A esmagadora maioria das torres metálicas treliçadas e mastros estaiados usados globalmente utiliza um arranjo quase exclusivo de cantoneiras parafusadas. As faces sobrepostas das abas permitem ligações inter-nodais diretas sem necessidade de cortes angulares complexos ou chapas de reforço. A geometria do perfil minimiza áreas de arrasto e facilita a dissipação da carga de vento.

Sistemas de Telhados e Coberturas (Treliças e Tesouras)

Desde galpões industriais até estruturas comerciais, a cantoneira é o material eleito para compor tesouras de telhado. É extensivamente aplicada nos banzos (elementos periféricos que sofrem os maiores esforços de flexão global, exigindo cantoneiras duplas) e como diagonais/montantes na alma das treliças.

Contraventamentos e Reforços Estruturais

A estabilidade lateral de edifícios porticados perante sismos ou ventos é assegurada pelos contraventamentos em formato de cruz (“X” ou “K”). As cantoneiras funcionam excecionalmente como barras de amarração nestes sistemas, suportando enormes esforços dinâmicos de tração antes de cederem plasticamente, dissipando assim a energia sísmica. A adaptação e encamisamento de colunas de betão antigas utilizando cantoneiras verticais nos quatro cantos é também uma prática de reabilitação estrutural frequente.

Indústria Mecânica, Máquinas Agrícolas e Rodoviárias

Os chassis de tratores, suportes de arados, plataformas de ceifeiras-debulhadoras e implementos rodoviários sofrem constantes esforços torsivos, choques térmicos e fadiga vibro-mecânica sobre pisos irregulares. A matriz tenaz e compacta das cantoneiras de aço A36 responde de forma confiável a estas exigências agressivas.

Serralheria Geral e Construção Civil Comercial

Trata-se de um artigo fundamental nos estaleiros e escritórios devido à sua facilidade de manuseio. Aplica-se no fabrico diário de:

  • Guias de rolamento para corredores industriais.
  • Subestruturas para fixação de painéis fotovoltaicos e sistemas de tubulações pesadas.
  • Guarda-corpos, grades, esquadrias pesadas, calhas e remates.

5. Vantagens Práticas e Procedimentos de Execução (Custo-Benefício)

A predileção pela cantoneira no planejamento de custos das empreitadas resulta de um equilíbrio entre resistência intrínseca, disponibilidade ubíqua no retalho siderúrgico e, acima de tudo, a facilidade com que é trabalhada na oficina, maximizando a produtividade da mão de obra.

Excelência em Soldabilidade (Processos Homologados)

O aço da família ASTM A36 possui um Carbono Equivalente (CE) baixo, o que o enquadra na classe de excelente soldabilidade. O material aceita processos de fabricação por fusão de altíssimo rendimento:

  • SMAW (Eletrodo Revestido): ideal para reparações em obra e a céu aberto. Empregam-se preferencialmente eletrodos celulósicos e rutílicos básicos (E6013, E6018 ou E7018).
  • GMAW (MIG/MAG): permite soldagem de alta produtividade com arame sólido cobreado do tipo ER70S-6 (com gás de proteção ativo ou inerte).
  • FCAW (Arame Tubular) e SAW (Arco Submerso): utilizados em processos automatizados nas caldeirarias para garantir elevadas taxas de deposição e passes contínuos.

Tratamentos Térmicos: é dispensável qualquer procedimento de pré-aquecimento na grande maioria das operações convencionais, exceto em soldaduras realizadas ao ar livre com temperaturas ambiente muito baixas ou em cantoneiras de maior espessura, que obrigam a pré-aquecimentos profiláticos para evitar trincas causadas pelo hidrogênio difusível, segundo as prescrições da norma AWS D1.1.

Facilidade de Corte e Furação

A ductilidade fornecida pelo baixo carbono traduz-se numa boa maquinabilidade. As cantoneiras podem ser operadas recorrendo a ferramentas de corte rápido (serras de fita, serras de disco com abrasivos, ou equipamentos CNC de corte térmico, como tochas de plasma ou oxicorte). Paralelamente, o material suporta o processo acelerado de furação a frio contínuo ou furação com punção hidráulica. Essa plasticidade evita o esmagamento frágil e a fissuração dos bordos, permitindo raios de dobragem otimizados para perfis em arco de galeria.

Tolerâncias Dimensionais e Retidão

A estandardização obedece a normas que simplificam a orçamentação, permitindo variações toleradas de esquadria ou retidão geométrica para cada comprimento, bem como uma oscilação aceitável no peso da amostra, limitando os desperdícios em lotes laminados.

Considerações Essenciais sobre Corrosão

Embora seja estruturalmente resiliente, sendo um aço-carbono comum sem adição de elementos antioxidantes (como o níquel ou o cromo existentes no inox), a cantoneira em A36 oxida com celeridade se exposta diretamente à atmosfera (humidade) ou a agentes agressivos.

O projetista deve obrigatoriamente prever o isolamento superficial da peça, incluindo nos memoriais a galvanização a quente (zinco), aplicação preventiva de tintas primárias anticorrosivas (como o zarcão epóxi), ou sistemas multicamadas de pintura industrial à base de poliuretanos ou intumescentes para retardamento ao fogo.


6. Tabela Demonstrativa de Dimensões e Massas Específicas

Nas tabelas oficiais, os fabricantes estabelecem os catálogos de dimensões harmonizando, por motivos de histórico industrial e exportação, as polegadas (sistema imperial) e a conversão milimétrica (sistema internacional).

A tipologia de nomenclatura convencional adota o formato comercial: Perfil L — Largura da Aba (polegadas) × Espessura (polegadas).

O conhecimento do “peso teórico linear” é basilar; a partir deste valor o engenheiro determina o somatório específico das cargas permanentes (ações gravíticas) necessárias aos pilares e fundações, efetuando igualmente o orçamento para a compra à tonelada no distribuidor.

A tabela abaixo seleciona os perfis mais prevalentes encontrados no retalho metalomecânico, refletindo as escalas métricas correspondentes (bitolas):

Nomenclatura Comercial Largura Nominal (mm) Espessura (mm) Massa Linear (kg/m) Classificação Primária do Uso
L 1″ x 1/8″ 1,19 Serralharia, gradis decorativos, molduras.
L 1.1/2″ x 3/16″ 2,68 Caixilharia industrial, estruturas de apoio ligeiras.
L 2″ x 1/8″ 2,46 Contraventamentos leves para paredes secas, suportes solares.
L 2″ x 1/4″ 4,75 Treliças de cobertura leves, eixos secundários de chassis.
L 3″ x 5/16″ 9,07 Banzos em galpões de porte médio, mastros estaiados.
L 3″ x 3/8″ 10,72 Estruturação de pontes-rolantes secundárias, pórticos rígidos.
L 4″ x 1/4″ 9,81 Colunas espaciais, ligações entre vigas reforçadas.
L 4″ x 1/2″ 19,05 Torres suporte de alta tensão (linhas 150kV+).
L 6″ x 1/2″ 29,20 Componentes de pontes centenárias, arrastamento de cargas.
L 8″ x 1″ 75,89 Pilares industriais maciços (aço ASTM A572), reforços navais.

Nota científica ao projetista: para o processamento matemático das matrizes de análise numérica ou aplicações de software de pórticos (como SAP2000, CYPECAD, etc.), é exigido ao engenheiro o mapeamento desta geometria contra as tabelas estáticas exatas dos fabricantes e das normativas NBR/Eurocódigo. Devem ser considerados, além da área estática da seção transversal, os Momentos de Inércia Polares e Retangulares, as configurações mínimas de encurvadura flexional e o raio de giração, as constantes dimensionais de empenamento, a distância ao centro de cisalhamento, e os módulos resistentes elástico e plástico nos eixos axiais, para apuramento da capacidade à flexão antes e durante uma plastificação.


A proficiência teórica na aplicação, concepção e interpretação física da Cantoneira de Aço Laminado de Abas Iguais traduz-se no fundamento empírico que separa a intuição prática do planejamento e segurança da Engenharia Civil.

Com a gestão correta dos seus fenômenos acoplados de flambagem, associados à excelência econômica da sua integração com componentes tubulares e seções compostas, este perfil elementar continuará invicto como o bastião da resiliência metálica em estruturas contemporâneas à escala mundial.

 

Referências citadas

  1. Cantoneira – Portal Conexão, https://conexao.arcelormittal.com.br/produtos/cantoneira
  2. CANTONEIRA AÇO 1020/A36 – Jaguimar, https://www.jaguimaronline.com.br/produto/cantoneira-aco-1020a36/
  3. Tabela de Cantoneiras de Abas Iguais | PDF – Scribd, https://pt.scribd.com/doc/58902952/Tabela-Cantoneiras-Abas-Iguais
  4. Aço angular ASTM: Abas iguais e desiguais A36/A572 | Norma Americana, https://www.jaderiversteel.com/pt/astm-angle-product/
  5. Tabela E.1 — Cantoneiras de abas iguais Propriedades para dimensionamento bf P A tf Ix = Iy Wx = Wy rx = ry x pol cm kg/m cm2, http://aquarius.ime.eb.br/~moniz/metalica/tabela-cantoneiras.pdf
  6. Barras e Perfis Gerdau, https://gsn.gerdau.com/sites/gsn_gerdau/files/downloadable_files/catalogo-barras-e-perfis.pdf
  7. Resistência de Materiais – Universidade de Évora, https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/18664/1/RM_MOMENTO_FLECTOR.pdf
  8. Fernando Rocha Sarquis.pdf – BDTD – UERJ, https://www.bdtd.uerj.br:8443/bitstream/1/11509/1/Fernando%20Rocha%20Sarquis.pdf
  9. Sobre o comportamento estrutural e o dimensionamento de cantoneiras de aço formadas a frio submetidas – USP, https://producaocientifica.eesc.usp.br/producao/2017ME_MariaAvilaBranquinho.pdf
  10. estabilidade e resistência de cantoneiras de aço … – Lume – UFRGS, https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/299707/001295863.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  11. Comportamento e Dimensionamento de Cantoneiras Comprimidas Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil – Fenix, https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/563345090412976/tese%20cantoneiras%20comprimidas.pdf
  12. cantoneiras de abas iguais gerdau – SKYLIGHT – Estruturas Metálicas, http://www.skylightestruturas.com.br/downloads/barras-e-perfis-lamina-cantoneira.pdf
  13. Cantoneira | ASTM A36 – Diferro Aços Especiais, https://www.diferro.com.br/produtos/acos-para-construcao-mecanica/perfis-/cantoneira.html
  14. Aula-3-Dimensionamento-à-Tração.pdf – O Calculista de Aço, http://calculistadeaco.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Aula-3-Dimensionamento-%C3%A0-Tra%C3%A7%C3%A3o.pdf
  15. Aço ASTM A36: Ficha Técnica, Prop. Mecânicas e Aplicações – Açovisa, https://www.acovisa.com.br/aco-astm-a36-ficha-tecnica/
  16. Aço estrutural A36: Alta qualidade. Exportação global. – Gnee Steel, https://gneesteelprofile.com/pt/profiles/a36-structural-steel-material/
  17. Linha de aço carbono comercialmente utilizadas – Portal do Projetista, https://portaldoprojetista.com.br/linha-de-aco-carbono-comercialmente-utilizados/
  18. Cantoneira Abas Iguais – Aços Continente, https://www.acoscontinente.com.br/secao/9/cantoneira-abas-iguais
  19. Aço A36 ou 1020? – Com tabelas de comparação » Aços Nobre em Sorocaba, https://acosnobre.com.br/blog/aco-a36-ou-1020/
  20. Propriedades Mecânicas e Geométricas dos Perfis Estruturais – O Calculista de Aço, http://calculistadeaco.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Aula-2-Propriedades-Mec%C3%A2nicas-e-Geom%C3%A9tricas-dos-A%C3%A7os-Estruturais.pdf
  21. Cantoneira Laminada ASTM A36 – Gravia, https://www.gravia.com/cantoneira-laminada/p
  22. Barras e Perfis Tabela de bolso versão site, https://gsn.gerdau.com/sites/gsn_gerdau/files/downloadable_files/Barras-e-Perfis-Tabela-de-bolso.pdf

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