Relatório Técnico Extensivo: Análise Metalúrgica, Dimensional e Aplicada de Barras de Aço (Chata, Redonda e Quadrada)

1. Introdução à Siderurgia de Produtos Longos

A indústria siderúrgica moderna sustenta-se na produção de perfis que combinam versatilidade geométrica com propriedades mecânicas previsíveis. Entre os chamados “produtos longos”, as barras de aço com seções transversais maciças — especificamente as geometrias chata (retangular), redonda (circular) e quadrada — representam a base fundamental para a construção mecânica, infraestrutura civil, implementos agrícolas e indústria automotiva. Este relatório técnico propõe-se a dissecar, com profundidade exaustiva, as especificações, normas técnicas (ABNT NBR, ASTM, SAE), processos de fabricação, tolerâncias dimensionais e o espectro de aplicações destes materiais.

A relevância destes perfis reside na sua onipresença. Desde o eixo de um motor elétrico de alta precisão até a grade de proteção de uma residência, a seleção correta da barra de aço exige um entendimento que transcende a mera forma. Envolve a compreensão da microestrutura do aço carbono, a influência do processo de conformação (laminação a quente versus trefilação a frio) e as implicações de custo e desempenho associadas a cada norma técnica. A análise a seguir integra dados de composição química, tabelas de peso teórico derivadas da densidade volumétrica do aço () e parâmetros de engenharia para o dimensionamento seguro de componentes.

O mercado brasileiro opera sob um sistema normativo rigoroso, liderado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que harmoniza suas diretrizes com padrões internacionais como a ASTM (American Society for Testing and Materials) e a SAE (Society of Automotive Engineers). A compreensão destas inter-relações é vital para garantir a intercambiabilidade de peças e a segurança estrutural em um mercado globalizado.

2. Fundamentos Metalúrgicos e Classificação de Materiais

Antes de analisar a geometria das barras, é imperativo compreender a matéria-prima. As barras comerciais e mecânicas são predominantemente fabricadas em aços ao carbono, ligas ferrosas onde o carbono é o principal elemento de endurecimento, variando tipicamente de 0,15% a 0,60% em peso. A seleção da liga determina não apenas a resistência mecânica da barra, mas sua soldabilidade, usinabilidade e capacidade de resposta a tratamentos térmicos.

2.1 Aço Carbono de Baixo Teor: SAE 1020 e ASTM A36

Estas são as ligas mais consumidas no mercado de barras comerciais. O aço SAE 1020, pertencente à classe dos aços de baixo carbono (0,18% a 0,23% de C), destaca-se pela sua excelente tenacidade e plasticidade.1 A microestrutura típica, composta por uma matriz ferrítica com pequenas ilhas de perlita, confere ao material uma baixa dureza natural, facilitando operações de dobra, corte e soldagem sem risco elevado de trincas na zona termicamente afetada (ZTA).

Em paralelo, o aço ASTM A36 é a norma padrão para aplicações estruturais. Embora sua química seja similar à do 1020, o A36 é especificado primordialmente por suas propriedades mecânicas mínimas, garantindo um limite de escoamento de 250 MPa (36.000 psi).2 A distinção crucial é que, enquanto o SAE 1020 é uma especificação química, o ASTM A36 é uma especificação de desempenho mecânico.

  • Aplicações Preferenciais: O baixo teor de carbono torna estas barras ideais para cementação — um tratamento termoquímico que enriquece a superfície com carbono, criando uma “casca” dura e resistente ao desgaste, mantendo o núcleo tenaz. São amplamente utilizadas em componentes que não exigem alta resistência estática, mas demandam conformabilidade.2

2.2 Aço Carbono Médio: SAE 1045

Quando a aplicação exige maior resistência mecânica e dureza, a indústria migra para o SAE 1045. Com um teor de carbono entre 0,43% e 0,50%, esta liga apresenta uma fração volumétrica de perlita significativamente maior que o 1020.3 Isso resulta em um aumento natural da resistência à tração e do limite de escoamento.

  • Resposta Térmica: A grande vantagem do SAE 1045 é sua temperabilidade. Diferente do 1020, o 1045 pode ser temperado e revenido para atingir durezas elevadas, tornando-o o material padrão para elementos de transmissão de potência, como eixos e engrenagens.1 No entanto, esta resistência cobra seu preço na soldabilidade, que é considerada regular e exige pré-aquecimento para evitar a formação de martensita frágil na solda.
  • Propriedades Mecânicas Comparadas: Enquanto o 1020 laminado apresenta resistência à tração em torno de 390-420 MPa, o 1045 laminado facilmente ultrapassa os 570 MPa, podendo chegar a valores superiores a 700 MPa quando trefilado.3

2.3 Comparativo Químico e Mecânico Detalhado

A tabela a seguir sintetiza as diferenças composicionais e mecânicas que orientam a escolha entre estas ligas para a fabricação de barras.

Propriedade / Elemento SAE 1020 (Baixo Carbono) SAE 1045 (Médio Carbono) ASTM A36 (Estrutural)
Carbono (C) 0,18% – 0,23% 0,43% – 0,50% 0,25% – 0,29% (Max)
Manganês (Mn) 0,30% – 0,60% 0,60% – 0,90% 1,03% (Típico)
Limite de Escoamento ~295 MPa ~310 – 550 MPa 250 MPa (Min)
Resistência à Tração ~395 MPa 570 – 700+ MPa 400 – 550 MPa
Dureza Brinell (HB) 115 – 130 170 – 210 145 (Típico)
Usinabilidade Alta (fácil remoção de cavaco) Média (requer mais potência) Boa
Soldabilidade Excelente (não requer pré-aquecimento) Regular (cuidados térmicos exigidos) Excelente

Fonte dos dados: Compilado a partir de.2

3. Processos de Fabricação: O Impacto na Precisão e Acabamento

A geometria final da barra (redonda, chata ou quadrada) é obtida através de processos que alteram não apenas a forma, mas também as propriedades superficiais e as tolerâncias dimensionais. A distinção entre barras laminadas e trefiladas é fundamental para a especificação de engenharia.

3.1 Laminação a Quente (Hot Rolled)

A grande maioria das barras de aço inicia sua vida neste processo. O tarugo de aço é aquecido acima de sua temperatura de recristalização (geralmente acima de 900°C) e passado por rolos que reduzem sua seção transversal.

  • Características: O resfriamento ao ar após a laminação gera uma camada superficial de óxidos de ferro, conhecida como “carepa”. A superfície é rugosa e escura.
  • Tolerâncias: Devido à contração térmica durante o resfriamento, as tolerâncias dimensionais são “abertas”. A norma NBR 11294 rege estas tolerâncias. Por exemplo, uma barra laminada de 1 polegada pode variar alguns décimos de milímetro, o que é aceitável para estruturas civis, mas inaceitável para eixos de precisão sem usinagem prévia.6
  • Tensões Residuais: As barras laminadas a quente são virtualmente livres de tensões internas, o que significa que elas tendem a manter sua forma (não empenam excessivamente) quando submetidas a usinagem pesada de desbaste.

3.2 Trefilação a Frio (Cold Drawn)

Para obter precisão, a barra laminada (após decapagem para remover a carepa) é tracionada a frio através de uma matriz de metal duro (fieira) com dimensões precisas.

  • Encruamento: Este processo de deformação plástica a frio encrua o material, aumentando sua dureza superficial e resistência à tração, enquanto reduz ligeiramente a ductilidade.3
  • Acabamento e Tolerância: O resultado é uma barra “brilhante”, com superfície lisa e tolerâncias dimensionais estreitas (padrão h11 ou h9). Uma barra trefilada de 25mm h11 terá uma tolerância de +0 / -0,13 mm, permitindo seu uso direto em pinos e eixos sem necessidade de torneamento externo em muitas aplicações.8
  • Aplicações: Eixos de impressoras, hastes de cilindros hidráulicos (antes da cromagem), guias lineares e fixadores de alta resistência.

4. Barra de Aço Redonda (Barra Redonda)

A seção circular é a geometria mais eficiente para resistir a esforços de torção e para aplicações que envolvem rotação. A barra redonda é onipresente na engenharia mecânica e civil, embora com especificações distintas para cada setor.

4.1 Geometria e Comportamento Mecânico

A simetria radial da barra redonda garante que seu momento de inércia seja constante em qualquer eixo que passe pelo centro. Isso a torna ideal para eixos de transmissão, onde a carga pode vir de qualquer direção radial, e evita a vibração excêntrica que ocorreria com perfis não simétricos em alta rotação.9 Além disso, a ausência de cantos vivos elimina concentradores de tensão que poderiam iniciar trincas sob fadiga torsional.

4.2 Vergalhões vs. Barras Mecânicas: Uma Distinção Crítica

É vital distinguir a barra redonda mecânica (lisa) dos vergalhões de construção civil, embora ambos sejam cilíndricos.

  • Barras Mecânicas (SAE 1020/1045): Superfície lisa, tolerância dimensional controlada (NBR 11294/8580), focadas em usinabilidade e tratamento térmico.
  • Vergalhões (CA-50, CA-60): Regidos pela NBR 7480. Possuem superfície nervurada para aderência mecânica ao concreto. O aço CA-50 tem limite de escoamento de 500 MPa, enquanto o CA-60 atinge 600 MPa. Existe também o CA-25, que é liso, mas sua composição química não é controlada para cementação ou têmpera como os aços SAE; seu foco é a ductilidade para dobragem de estribos (alongamento de 18%).10 Substituir uma barra mecânica por um vergalhão em uma máquina é um erro técnico grave devido à baixa precisão e acabamento do vergalhão.

4.3 Fórmulas e Tabelas de Peso Teórico

O peso linear de uma barra redonda é função do quadrado do seu diâmetro. Considerando a densidade do aço :

A tabela abaixo apresenta os pesos teóricos para as bitolas comerciais mais comuns no mercado brasileiro 6:

Diâmetro (pol) Diâmetro (mm) Peso Teórico (kg/m) Aplicação Típica
1/4″ 6,35 0,25 Pinos leves, grades
5/16″ 7,94 0,39 Tirantes, miudezas
3/8″ 9,53 0,56 Parafusos, eixos pequenos
1/2″ 12,70 0,99 Chumbadores, eixos agrícolas
5/8″ 15,88 1,55 Eixos de motores elétricos
1″ 25,40 3,98 Hastes hidráulicas, eixos principais
2″ 50,80 15,91 Eixos pesados, cilindros
4″ 101,60 63,64 Colunas, forjaria pesada

4.4 Tolerâncias Dimensionais (NBR 11294 – Laminados)

Para o projeto de engenharia, saber a variação permitida é tão importante quanto a medida nominal. A norma NBR 11294 estabelece para barras laminadas redondas:

  • Ovalização: A diferença entre o maior e o menor diâmetro na mesma seção não pode exceder 80% da tolerância total.12
  • Exemplo de Tolerância:
  • Bitolas até 14mm: ± 0,40 mm.
  • Bitolas de 25mm a 30mm: ± 0,60 mm.
  • Bitolas de 80mm a 100mm: ± 1,30 mm.12 Esses valores indicam que uma barra bruta de 100mm pode chegar com 101,3mm, exigindo que o engenheiro preveja material suficiente para usinagem se a medida final precisar ser exata.

5. Barra de Aço Quadrada (Barra Quadrada)

A barra quadrada é a geometria da robustez e da facilidade de fixação. Sua seção transversal oferece faces planas paralelas que facilitam o posicionamento em morsas de usinagem e a transmissão de torque em mecanismos simples, dispensando o uso de chavetas em implementos agrícolas e industriais de baixa rotação.

5.1 Especificações Geométricas e Tipos de Canto

As barras quadradas são especificadas pela medida do lado (). Uma característica crítica na especificação é o raio do canto:

  • Canto Vivo (Sharp Corner): Típico de barras trefiladas a frio. Os cantos são precisos, com raios quase nulos. Ideal para montagens mecânicas onde a barra deve encaixar em alojamentos quadrados precisos ou servir de guia.8
  • Canto Arredondado (Rounded Corner): Característico da laminação a quente (NBR 11294 / NM 162). Os rolos de laminação possuem raios para evitar concentração de tensão e desgaste prematuro da ferramenta. O raio varia conforme a bitola, mas facilita o manuseio e a pintura, sendo preferido em aplicações estruturais e de serralheria (grades).6

5.2 Peso Teórico e Cálculo

A área da seção é simplesmente o lado ao quadrado (). A fórmula simplificada para o peso linear em kg/m é:

Tabela de Referência para Barras Quadradas:

Lado (pol) Lado (mm) Peso Teórico (kg/m) Uso Comum
1/4″ 6,35 0,32 Artesanato, chavetas pequenas
3/8″ 9,53 0,71 Grades, ferramentas manuais
1/2″ 12,70 1,27 Portões, eixos agrícolas leves
3/4″ 19,05 2,85 Eixos de implementos, forjaria
1″ 25,40 5,06 Trilhos, componentes de máquinas
2″ 50,80 20,26 Bases de máquinas pesadas

5.3 Tolerâncias de Forma: O Desafio da Torção

Diferente da barra redonda, a barra quadrada é suscetível à torção helicoidal ao longo do seu eixo longitudinal durante a fabricação. A norma NBR 11294 é explícita quanto aos limites aceitáveis, pois uma barra torcida inviabiliza seu uso em guias lineares ou estruturas longas.

  • Limite de Torção:
  • Para bitolas até 50 mm: Máximo de 4° por metro linear.
  • Para bitolas acima de 50 mm: Máximo de 3° por metro linear.6 Esta especificação deve ser verificada no recebimento do material, especialmente para aplicações em eixos de transmissão agrícola onde o alinhamento é crítico.

5.4 Aplicações Setoriais

  1. Indústria Agrícola: É o maior consumidor de barras quadradas de médio carbono (SAE 1045). Eixos de grades de discos utilizam o perfil quadrado para garantir que todos os discos girem solidários ao eixo, eliminando a necessidade de usinar rasgos de chaveta em cada disco, o que reduz drasticamente o custo de fabricação.8
  2. Ferramentaria e Forjaria: Punções, talhadeiras e ferramentas de impacto são frequentemente forjados a partir de barras quadradas devido à facilidade de manuseio nas matrizes.
  3. Arquitetura e Serralheria: Em grades ornamentais, a barra quadrada oferece uma estética mais “sólida” que a redonda e permite trabalhos de torção decorativa a frio.13

6. Barra de Aço Chata (Barra Chata)

A barra chata (seção retangular) é o “elemento de ligação” universal da engenharia. Sua geometria plana oferece grandes áreas superficiais para soldagem e furação, tornando-a indispensável para a união de outros perfis estruturais, fabricação de chassis e suporte de cargas.

6.1 Normatização e Dimensões (NBR 16683)

As barras chatas são regidas especificamente pela norma NBR 16683 (“Barras laminadas de aço para uso estrutural – Dimensões e tolerâncias”).14 Elas são definidas por duas medidas: Largura () e Espessura ().

  • Gama Dimensional: A versatilidade é imensa. As espessuras partem de finas chapas de 1/8″ (3,17mm) até blocos maciços de 2″ ou mais. As larguras variam de 1/2″ até 8″ ou 10″.
  • Qualidade Superficial: A norma NBR 16683 admite a presença de defeitos superficiais (como dobras de laminação ou riscos) desde que sua profundidade não comprometa a espessura mínima tolerada. Para bitolas finas, a profundidade máxima do defeito é 0,2 vezes a espessura.14

6.2 Propriedades Estruturais: Anisotropia

A barra chata possui um comportamento mecânico anisotrópico em relação aos seus eixos geométricos.

  • Eixo Maior (Em pé): Alta resistência à flexão. Funciona como uma viga retangular compacta.
  • Eixo Menor (Deitada): Baixa inércia, flexiona facilmente. Ideal para ser curvada e formar aros, cintas ou abraçadeiras.
  • Cálculo de Peso:

Tabela Amostral de Pesos e Aplicações 15:

Descrição (pol) Dimensões (mm) Peso (kg/m) Aplicação Estrutural
1/8″ x 1/2″ 3,17 x 12,70 0,316 Cintas de amarração, artesanato
3/16″ x 1″ 4,76 x 25,40 0,949 Suportes de tubulação, grades
1/4″ x 2″ 6,35 x 50,80 2,530 Estruturas de chassis leves
3/8″ x 4″ 9,53 x 101,60 7,600 Flanges, bases de equipamentos
1/2″ x 6″ 12,70 x 152,40 15,190 Vigas de reforço, peças navais
1″ x 4″ 25,40 x 101,60 20,260 Componentes de máquinas pesadas

6.3 Aplicações Específicas

  1. Aterramento Elétrico (SPDA): Barras chatas, frequentemente galvanizadas a fogo, são preferidas como condutores de descida em sistemas de proteção contra raios. A geometria plana oferece menor indutância e maior área de superfície para dissipação de alta frequência comparada a cabos redondos de mesma seção, além de facilitar a fixação em fachadas.16
  2. Feixes de Molas: Na indústria automotiva, barras chatas de aços liga (como o SAE 5160) são curvadas e tratadas termicamente para formar as molas semielípticas de caminhões e picapes. A geometria plana permite o empilhamento das lâminas para somar as constantes elásticas.
  3. Serralheria e Grades: A barra chata é amplamente usada como elemento horizontal em grades, perfurada para a passagem de barras redondas verticais, criando uma estrutura rígida e estética.

7. Análise Comparativa de Desempenho e Seleção

A escolha entre os três perfis não é aleatória; ela obedece a critérios de engenharia baseados nos esforços solicitantes.

Característica Barra Redonda Barra Quadrada Barra Chata
Resistência à Torção Excelente (Isotrópica) Média (Concentração de tensão nas faces) Baixa (Instabilidade)
Resistência à Flexão Boa (Uniforme em todos eixos) Boa (Maior rigidez que a redonda p/ mesma área) Excelente (No eixo maior) / Ruim (Eixo menor)
Facilidade de Soldagem Média (Superfície curva difícil de alinhar) Boa (Faces planas) Excelente (Grande área de contato)
Usinabilidade Excelente (Torneamento natural) Média (Requer fresamento ou torno 4 castanhas) Média (Fresamento e furação)
Estabilidade de Armazenamento Ruim (Rola facilmente, difícil empilhar) Excelente (Empilhamento estável) Excelente (Empilhamento compacto)

Análise derivada dos princípios mecânicos discutidos em.9

8. Logística, Armazenamento e Qualidade

O ciclo de vida da barra de aço começa muito antes de sua aplicação final. Aspectos logísticos e de controle de qualidade são vitais para preservar as propriedades do material.

8.1 Identificação e Rastreabilidade

As barras devem conter marcações ou etiquetas que identifiquem a norma de fabricação (ex: NBR 11294), o grau do aço (ex: SAE 1045) e o número da corrida (lote de fundição). Isso garante a rastreabilidade em caso de falhas estruturais. Em vergalhões (NBR 7480), a identificação é frequentemente laminada em relevo na própria barra.

8.2 Proteção contra Corrosão

O aço carbono é suscetível à oxidação imediata.

  • Armazenamento: Deve ser feito em locais cobertos, sobre calços de madeira para evitar contato com o solo e umidade ascendente.
  • Proteção Temporária: Barras trefiladas (brilhantes) são geralmente fornecidas com uma fina camada de óleo protetivo. Barras laminadas contam com a proteção passiva da carepa, mas se esta for danificada, a corrosão ocorre rapidamente.

8.3 Inspeção de Recebimento

O inspetor de qualidade deve verificar:

  1. Dimensional: Uso de paquímetros e micrômetros para validar se o material está dentro das tolerâncias da NBR 11294 ou h11.
  2. Retilineidade: Verificação visual ou com relógio comparador para garantir que o empenamento não excede os limites (ex: 4 mm/m para laminados gerais).6
  3. Superfície: Busca por “bocas de jacaré” (aberturas nas extremidades), trincas longitudinais ou inclusões visíveis.

9. Conclusão

As barras de aço chata, redonda e quadrada constituem o vocabulário básico da linguagem construtiva e mecânica. A aparente simplicidade destes perfis esconde um universo de especificações técnicas rigorosas. A eficácia de um projeto depende intrinsecamente da capacidade do engenheiro ou técnico em navegar pelas normas ABNT NBR, selecionar a metalurgia correta (SAE 1020 vs 1045) e entender as limitações dimensionais impostas pelos processos de fabricação (Laminação vs. Trefilação).

O domínio destes dados – pesos, tolerâncias e propriedades mecânicas – não é apenas uma questão burocrática, mas um imperativo de segurança e eficiência econômica. Ao especificar uma barra quadrada SAE 1045 para um eixo agrícola ou uma barra chata A36 para o chassi de uma máquina, o profissional está mobilizando décadas de evolução siderúrgica para criar soluções duráveis que sustentam a infraestrutura da sociedade moderna.

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Referências citadas

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  2. Aço A36 ou 1020? – Com tabelas de comparação » Aços Nobre em …, acessado em fevereiro 10, 2026, https://acosnobre.com.br/blog/aco-a36-ou-1020/
  3. Estudo comparativo das propriedades mecânicas dos aços SAE 1045 e SAE 1020, em diferentes condições metalúrgicas, através dos ensaios de tração unidirecional e flexão em três pontos – SciELO, acessado em fevereiro 10, 2026, https://www.scielo.br/j/rmat/a/mrNxgFNSwL6fR5KvpHLRTYK/?lang=pt
  4. Aço SAE 1045 – Açovisa Solução em aços, acessado em fevereiro 10, 2026, https://www.acovisa.com.br/aco-sae-1045/
  5. Aço 1045 Propriedades | K9 Aços e Metais, acessado em fevereiro 10, 2026, https://k9acos.com.br/aco-1045-2/
  6. Guia do Aço – ArcelorMittal, acessado em fevereiro 10, 2026, https://brasil.arcelormittal.com/pdf/produtos-solucoes/catalogos/catalogo-guia-aco.pdf?asCatalogo=pdf
  7. As barras laminadas de aço para uso estrutural – Target Normas, acessado em fevereiro 10, 2026, https://www.normas.com.br/visualizar/artigo-tecnico/3441/as-barras-laminadas-de-aco-para-uso-estrutural
  8. Barras Trefiladas Gerdau, acessado em fevereiro 10, 2026, https://gsn.gerdau.com/sites/gsn_gerdau/files/downloadable_files/catalogo-barras-trefiladas.pdf
  9. Qual é a diferença entre barra redonda e barra de aço? – Notícias, acessado em fevereiro 10, 2026, https://pt.cndmmetal.com/news/what-is-the-difference-between-round-bar-72830965.html
  10. Vergalhão Gerdau GG 50, acessado em fevereiro 10, 2026, https://gsn.gerdau.com/pt-br/produtos/vergalhao-gerdau
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  13. Barras de Aço: Tipos, Usos e Como Escolher | Ferrocorte, acessado em fevereiro 10, 2026, https://www.comercialferrocorte.com.br/blog/barras-aco-tipos-aplicacoes
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  15. Barra Chata – Aços Continente, acessado em fevereiro 10, 2026, https://www.acoscontinente.com.br/secao/10/barra-chata
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Como escolher o perfil ideal: barra chata, redonda ou quadrada de inox? – MecSteel, acessado em fevereiro 10, 2026, https://blog.mecsteel.com.br/como-escolher-o-perfil-ideal-barra-chata-redonda-ou-quadrada-de-inox/